O caos em mim
- beijasois
- 19 de jul. de 2021
- 12 min de leitura
Atualizado: 28 de jul. de 2021
Isabelle não acordou assustada. Se tinha uma coisa com a qual ela já estava acostumada, era com pesadelos. Mesmo eles não sendo tão frequentes, pelo menos uma vez na semana aconteciam. E Isabelle sempre esperava por eles, e, como sempre, nunca estava preparada. Costume é uma coisa, preparação é outra. Uma coisa é você saber que algo ruim vai acontecer, outra é você encarar numa boa.
De qualquer modo, aquele pesadelo em especial não assustou a garota. Ela não gostou nada, mas, ao acordar, encarou a sua realidade pacata. Pelo menos nos sonhos alguma coisa acontece, ela sempre pensava ao acordar.
Como não gostava de enrolar na cama, se levantou, se arrumou e saiu de casa sem comer nada. Estou acima do peso, se repreendia mentalmente todas as vezes em que sentia fome, não posso sair comendo tudo o que tenho vontade. Na verdade, nada eu posso. No caminho não resistiu e passou pela padaria para comprar algum pão ou biscoito. De qualquer forma tinha ciência de que, se passasse muitas horas de estômago vazio, tudo o que ganharia seria uma gastrite e um desmaio repentino.
Isabelle não era gorda. Estava muito mais próxima da magreza do que imaginava, mas a pobre moça de 25 anos não conseguia se enxergar no espelho com a beleza e atração que os demais a viam. Sua baixa autoestima a impedia de ver e viver muitas coisas; e, o detalhe mais importante, ela tinha medo. Muito medo. Medo de perder o controle da própria vida, de seus pensamentos obsessivos e repetitivos se tornarem realidade mesmo ela os expulsando no mesmo instante em que apareciam.
Sem sua rotina, Isabelle enlouqueceria. Tudo deveria estar certo — mesmo ela enxergando defeito em tudo —, tudo deveria ser planejado. O ônibus deveria parar no ponto no horário marcado, caso contrário, Isabelle começava a imaginar que o veículo havia batido e capotado no meio do trajeto. Sem atrasos no trabalho. Nunca! Jamais deveria chegar depois das sete na escola onde trabalhava, não se perdoaria se tal desleixo acontecesse.
Sua casa poderia não estar sempre limpinha, mas a ordem reinava mesmo com a poeira se acumulando sobre alguns objetos inúteis que ela insistia em manter no imóvel, pois algum dia poderia precisar muito deles para salvar sua vida. Bem, pelo menos era isso que Isabelle pensava, por isso nunca havia se livrado da coleção de enciclopédias de 1900 e sei lá quantos anos; ela poderia ter acesso a quase todas as informações possíveis nos sites de busca da internet e pesquisava sempre que precisava, mas nunca jogava fora aqueles livros já com pouca ou nenhuma utilidade no século atual.
E haviam muitas outras coisas que a jovem acumulava debaixo da cama, nas gavetas do armário e até sobre o criado mudo, coisas que provavelmente só se encontraria em museus. Isabelle sempre se perguntava por que não conseguia dar um fim em inúmeras inutilidades. Em inúmeros pensamentos também. Em inúmeras atitudes.
Enquanto comia seu pequeno croissant, já no ônibus, admirava a paisagem urbana passando rápida por sua janela. O dia estava nublado, umas gotinhas de chuva caíam sobre o asfalto o deixando levemente brilhoso e mais escorregadio.
O motorista tem que desacelerar, se uma chuva forte se iniciar ele pode perder o controle e jogar o ônibus no acostamento e todos nós iremos nos machucar!, mais uma vez Isabelle estava formulando possibilidades terríveis na sua mente inquieta. Não. Eu não deveria estar pensando em coisas assim. Deveria estar tranquila, daqui a alguns minutos eu vou entrar na sala de aula e rever meus alunos. Eu tenho que estar bem para eles, pensar em coisas ruins só irão me fazer chegar de péssimo humor. Eu não posso ser assim.
E, nesse conflito de pensamentos, numa afirmação de tragédia e negação logo em seguida, Isabelle terminou de comer seu primeiro alimento — e provavelmente único — do dia e relaxou o corpo da melhor maneira que podia. Ainda eram seis e dez da manhã, tinha cerca de cinquenta minutos de viagem naquele ônibus. E, como também já era um costume seu, fechou os olhos no mesmo instante em que a chuva começou a cair com maior intensidade. O tradicional cochilo no caminho para o trabalho pelo menos a tirava de seus pensamentos compulsivos e a colocava em um universo totalmente diferente do que estava acostumada.
+++
Seu sonho não começou diferente, Isabelle estava na mesma casa de todas as vezes. Não era a sua, a que morava, era uma mais bonita e bem maior. Era realmente a casa dos sonhos. De dois andares, com móveis e objetos simples, mas, vejam só, todos eram úteis! Não havia nada na sua casa do sonho que Isabelle não usasse. Não era um imóvel de luxo, mas extremamente confortável.
Logo no corredor principal havia um espelho grande de moldura dourada. Isabelle estava bem perante ele vendo seu lindo reflexo, admirando o corpo e rosto perfeito que tinha. No sonho ela não tinha defeitos físicos nem morais. Isabelle era o que gostaria de ser na realidade: bonita, feliz, íntegra e sem falhas. Era sempre assim nos seus sonhos, mesmo nos piores pesadelos, Isabelle era uma pessoa exemplar. Totalmente o contrário da sua realidade. Sua vida acordada era totalmente sem graça, cheia de tormentos e defeitos. Sua vida sonhada era um sonho, literalmente.
— Belle — uma mulher chamou a jovem por seu apelido. Apelido esse que somente seus amigos dos sonhos a chamavam. Ninguém na sua vida normal a chamava de forma tão carinhosa —, você está muito bem, como sempre.
Belle desviou os olhos do reflexo e sorriu com espontaneidade ao encarar a mulher. Era alta, uns dez anos mais velha e sempre tinha um sorriso gentil nos lábios.
— Naiara, olá — Isabelle cumprimentou. — Como você está?
— Bem como sempre. Você também?
— Me diga um momento em que eu me sinta mal. — Isabelle alargou ainda mais o sorriso. Sua frase e sua postura eram gestos que ela provavelmente nunca reproduziria acordada.
De uma maneira um pouco surpreendente, Naiara baixou os olhos e parou de sorrir. Havia algo errado. Pela primeira vez em seus sonhos havia algo de errado. E, dessa vez, parecia que o erro era Belle.
— Infelizmente acho que irei lhe mostrar algo péssimo — Naiara falou com dor e guiou Belle para o final do corredor, onde ficava a cozinha.
— O que foi? Esse é mais um pesadelo? — Isabelle perguntava caminhando.
— Você sabe que não. Mesmo em seus pesadelos algo tão ruim não acontece como o que está acontecendo.
Agora sim Isabelle ficou com medo. Sentiu seu coração pesar. O que de tão mal poderia estar acontecendo naquele seu ambiente de sonho tão querido?
— Alguma coisa com os meus amigos? — perguntou ainda, temerosa pela resposta.
A mais velha soltou um suspiro e não falou nada.
Adentraram na cozinha e Belle viu uma cena nada comum para ela e seus amigos que sempre estavam nos seus sonhos. Eles eram diferentes. Estavam... Preocupados? Atarefados? A verdade era que estavam muito agitados, com uma expressão de cansaço por tanto fazerem e nada parecer ser o certo. Estavam muito parecidos com a Isabelle do mundo real.
— O que eles têm? — perguntou para Naiara.
— Você não percebe? — Naiara falou com um tom que deixava claro que Isabelle tinha muita culpa por tudo o que estava acontecendo. — Eles estão agindo como você!
— Mas... Quê? — Belle uniu as sobrancelhas e observou por um breve período aquele pequeno grupo de cinco jovens, seus melhores e únicos amigos, tão desnorteados na cozinha.
Duas preparavam o almoço: Alice e Mabel. Quer dizer, era para elas estarem cozinhando, porque o que se via eram duas garotas indecisas. Tomate ou pepino? Mais sal ou mais cebola? Frango ou peixe? Mais de uma opção de acompanhamento? Droga! Elas deveriam ter um cardápio bem definido para cada semana! E agora? Estava um sufoco só, pelo visto, o almoço não sairia naquele dia.
Os três jovens restantes: Jonas, Pedro e Felipe se revezavam numa faxina que mais bagunçava do que arrumava. Se Pedro limpava a mesa, Felipe dizia que não estava bom e Jonas reclamava do chão sujo. Eles nunca entravam num consenso, não dividiam as tarefas, pareciam preocupados demais com o que o outro fazia e se faziam certo. E sempre encontravam defeito em tudo.
— Isso está muito errado — Isabelle sussurrou para a amiga mais velha. Naiara somente assentiu. — O que eu posso fazer? — perguntou como uma súplica. — Se eu causei tudo isso, como desfazer?
Naiara a virou para si e colocou a mão nos seus ombros. Mesmo parecendo muito magoada com a mais nova, era visível a sua preocupação e o quanto queria ajudá-la.
— Não somos perfeitos — falou, o que atingiu Belle com um impacto inimaginável. Como assim Isabelle não era perfeita? Ela havia se visto no espelho, não era a primeira vez que sonhava. Na verdade, seus sonhos com Naiara, Alice, Mabel, Jonas, Pedro e Felipe eram frequentes desde seus quinze anos. Seus amigos estavam com ela há dez anos em sonhos repletos de aventuras legais, situações arriscadas, mas que sempre se saíam bem. Eles eram os seres humanos mais perfeitos que existiam! Como Naiara poderia dizer a ela que não era tudo isso?
— Somos sim! — a jovem retrucou.
— Não somos perfeitos e a culpa é sua, Belle. Você é a mais imperfeita de todos nós — Se a primeira afirmação doeu, a segunda doeu mais ainda.
— O que foi de tão errado que eu fiz? — perguntou Isabelle já com os olhos marejados.
— Sua mente está um caos. Nunca esteve em um estado tão crítico como o atual e agora isso reflete nos seus sonhos. Você precisa melhorar, Isabelle.
Você precisa melhorar, Isabelle.
Quantas vezes a pobre jovem já não havia dito isso acordada? Era o que sempre se aconselha diariamente. Ela precisava melhorar. Ela precisava parar de ser ansiosa, de ser perfeccionista, de seguir toda a sua rotina à risca. Ela precisava ser mais livre das pressões próprias. Mas nunca conseguia.
— Mas como eu posso melhorar!? — ela disse já se rendendo às lágrimas. — Você acha que eu não me esforço o bastante? Eu sempre procuro colocar tudo em ordem, eu sempre reprimo meus pensamentos, procuro não falhar com ninguém!
— Esse é o seu problema, Belle! — Naiara falou tão alto que os cinco jovens que trabalhavam na cozinha pararam seus afazeres desorganizados e encararam Isabelle. — Você sempre busca uma ordem, uma sequência para seguir e, assim, evitar erros. Você acha que a sua rotina é a sua salvação. Mas, me diga, o que você faz a partir das dez da noite?
Não foi nem tanto o tom severo de Naiara que apertou o coração de Isabelle, foi a questão posta. O que Isabelle fazia a partir das dez? Ah... Refletir sobre isso fazia a jovem se culpar e se julgar todos os dias.
— Eu... eu... eu jogo e faço compras online — pela primeira vez Isabelle confessou sua compulsão audivelmente.
— Só isso?
— O que isso te interessa? — Isabelle estava começando a se irritar.
— Tudo relacionado a você me interessa. Lembra quando sonhou conosco pela primeira vez? Eu prometi que cuidaria de você.
Isso era verdade. E, nos sonhos, Naiara era quem sempre livrava Isabelle de perigos e a aconselhava.
— Sim — a voz de Belle quase não saiu. — Sim. Você disse isso.
Quando pareceu que Naiara iria falar algo mais, Aline a interrompeu:
— Tenho certeza de que Belle fará o que deve ser feito.
Como uma faca de gelo, o argumento de Aline atingiu a amiga. Seu corpo congelou. Isabelle tentou raciocinar, traçar um pensamento coerente que a faria livrar todos os seus amigos do estado em que estavam, do estado Belle em que se encontravam. Mas ela não conseguiu pensar como geralmente pensava nos sonhos. Seus pensamentos foram os agourentos de quando está acordada e cheios de possibilidades ruins.
E se seus amigos ficassem daquele jeito para sempre? E se Naiara nunca a perdoasse? E, o pior, e se Isabelle nunca mais conseguisse sonhar bons sonhos naquela casa perfeita onde vivia perfeitamente? Sentiria falta até dos seus pesadelos. Isabelle se sentia mais perdida que uma formiga no carnaval. A inquietação dos pensamentos quase não a fez perceber que agora estava em outro lugar. Seu sonho havia mudado.
Isabelle não conhecia aquela rua. Estava bastante movimentada, várias pessoas passavam por ela e se esbarravam sem nada falar. Suas caras fechadas mostram o quanto estavam com pressa e não queriam saber de papo. A tensão daquela gente não combinava muito com o céu claro e o sol radiante. O clima agradável era como uma ironia para a tempestade que pairava na cabeça dos que por ali passavam.
Não somos perfeitos e a culpa é sua, Belle. Você é a mais imperfeita de todos nós.
A voz de Naiara ecoava na mente de Isabelle como um play pressionado repetidas vezes em um reprodutor de mídia. Esse era o pensamento compulsivo da mulher no momento. E nada a fazia se livrar dele. Só sabia que tinha que encontrar a solução naquela mesma hora. Era sua responsabilidade. Mas como?
Primeiro, tinha que saber onde estava. Seus sonhos eram sempre internos, na casa dos sonhos, aquela rua era um cenário inédito para Isabelle. Em meio àquele fluxo de pessoas andando apressadas, notou uma senhora em frente a uma loja de doces. Estava sentada, a única com o rosto sereno naquela rua movimentada.
Isabelle queria ir falar com ela, mas... Ela é gorda, somente pensava, ela é gorda como eu. A jovem se sentiu mal. Olhou para o próprio corpo refletido num carro que parou perto da calçada onde estava. Belle não estava mais bonita, pelo menos não era isso que estava achando ao se ver.
Você precisa melhorar, Isabelle.
Engoliu seu pavor pelo sobrepeso e alcançou a senhora.
— Olá — conseguiu falar. — Você pode me ajud...
— Você sabe que não! — a senhora gritou, assustando Isabelle e a impedindo de prosseguir. — Eu sou um dos seus maiores temores. Você não pode me pedir ajuda, você deve me destruir!
Destruir? Quê? Como Isabelle poderia pensar em destruir uma senhora de idade, ainda mais nos seus sonhos?
— Há algo muito errado aqui! Desculpe. — Belle estava se virando para ir embora procurar suas soluções em outro lugar, quando a senhora a segurou com força.
— Você não vai — disse em tom ameaçador. — A partir do momento em que se aproximou de mim, foi presa na sua própria tolice!
— Me solta! — Isabelle tentou se desvencilhar, mas em vão. — Eu vou gritar!
— Pode gritar! — a senhora adquiriu uma forma horrenda. Seu corpo inchou como se fosse explodir. O cheiro de doces da loja inebriou Belle, ela desejou poder comer umas barras de chocolate, mas não podia fazer isso. Não podia engordar. — Você é gorda, Isabelle! Você é descontrolada, é toda errada! Faz sempre tolices, coisas inúteis. Sempre perde o controle, imbecil! — A essa altura Isabelle já estava chorando. — Onde está seu salário desse mês, hein? Gastou, garotinha inconsequente? Comprou mais coisas desnecessárias pra sua casa naquelas lojas online? Perdeu dinheiro em apostas contra pessoas de outros países jogando pela internet?
Isabelle escutava as acusações e não as revogava. Ela sabia que era culpada, não tinha nada a fazer a não ser aceitar as punições.
— Onde está seu bom senso, minha jovem, hein? — a senhora fazia escândalo e machucava Belle a balançando pelos braços. — Não é você que sempre gosta de tudo certinho? Onde está a sua integridade agora?
— Me solta! — Isabelle falou entre as lágrimas. — Eu tenho que ajudar meus amigos, me solta!
— Eles não são seus amigos! Eles já estão perdidos e você é a culpada porque não pode ter controle de si mesma.
— Eu vou ajudá-los!
— Mas como, se não ajuda nem você mesma?
Dizendo isso, a senhora soltou Belle e sumiu na mesma hora. Isabelle mal respirou e viu seu sonho mudar de cenário outra vez. Agora estava de volta à sua casa dos sonhos, seus amigos pareciam estar bem, mas não a enxergavam. Todos estavam tranquilos, com exceção de Aline. Essa dizia repetidas vezes:
— Isabelle vai saber o que fazer! Eu sei que ela vai. Ela é forte. Ela vai nos ajudar!
Seus amigos não a escutavam e muito menos pareciam precisar de alguma ajuda. Isabelle se sentiu aliviada ao vê-los tão ilesos, comportados e sãs como sempre eram. Tão... perfeitos e normais. Mas ainda se inquietava com o comportamento de Aline. Ela não deveria estar gritando. O que Isabelle deveria fazer mais? Do que Aline sabia que ela era capaz? Belle era forte? Seria capaz de ajudar alguém? Queria fazer todas essas perguntas para a amiga, mas ela não a escutava assim como seus demais amigos não escutavam Aline.
Que tipo de sonho era aquele? Era um pesadelo? Uma alucinação? Não teve tempo para resposta, seu sonho foi se apagando e logo sua visão clareou. Mas não para outro sonho, e sim para a realidade. A realidade quieta, a realidade em que nada acontecia.
+++
— Moça, chegamos ao fim da linha. — O motorista estava ao lado de Isabelle no momento em que acordou. — Desça, acho que você passou do ponto. — Ele deu um sorriso meio sem graça.
Isabelle se assustou com o céu claro. Quando adormeceu, estava chovendo. Seu relógio de pulso marcava oito da manhã. Era uma hora a mais que o seu horário de entrada na escola onde trabalhava.
Pela primeira vez em sua vida profissional, Isabelle estava atrasada.
— D-desculpe — ela disse esfregando os olhos e pegando sua bolsa do colo rapidamente se levantando.
Desceu do ônibus. Reconhecia aquela rua e, para seu azar, era uma bem longe de onde trabalhava. Demoraria cerca de mais uma hora para chegar à escola. Se fosse em outra circunstância, Isabelle começaria a chorar e se martirizar pelo atraso. Entretanto, pelo sonho tão anormal que teve, sua mente estaria ocupada pela próxima hora de trajeto, não por lamentações e autoculpas, mas por reflexão pelo que viu ao adormecer e se desligar da realidade. De uma coisa Belle tinha certeza: aquele sonho tinha muito o que dizer e era muito mais do que imaginava.


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