Conto: Rock 'n' Roll Suicide, por João Luz
- beijasois
- 17 de set. de 2021
- 2 min de leitura
Para David Bowie.
Já disse e repito para mim mesmo, porque lá fora ninguém ouviu. Como um grito que ecoa em uma sala vazia, sobre a linha tênue da sobriedade e fantasia, me ponho de pé lúcido e, mesmo assim cambaleando, o meu faz de conta que ninguém conta, e que já se tornou minha realidade ou vice versa. E no meu íntimo translúcido, toda a asneira no qual eles contam faz toda diferença, mesmo quando digo que não me importo. Todo sussurro ou prosa que me perturba, fazendo-me ficar sem sono e saindo pelas ruelas tortas e sujas do meu bairro parisiense imaginário. Trombando sobre um muro imaginário que eu mesmo construí, por medo de me expor. E de como eu saltei de um enorme penhasco da cidade e sobrevivi.caindo sobre o gramado da praça.
Todos estão entrosados e não faz nem 5 minutos que eu os criei dentro de minha cabeça. Como eles podem ser tão íntimos? Como aquele soldado pode ter sido o herói da guerra, se eu não fiz guerra? Fazendo um discurso de paz depois de matar vários homens, mulheres e crianças.
Eu soube de uma mãe que deixou sua filha ir brincar no rio da cidade, ela disse à filha que fosse o mais longe da margem do rio e que afundasse feito o carro do papai no verão passado e que não tivesse medo porque seria melhor deste jeito, pois o mundo em que ela conheceu já não era mais o mesmo e em seguida ela também se jogou do mesmo penhasco que eu saltei e não caiu sobre o gramado da praça, como aconteceu comigo.
Eu perguntei ao padre da minha cidade imaginária o que houve com aquela mulher e a filha dela. E ele disse: “Garoto, você deve estar imaginando coisas”.
Voltando pra casa, eu encontrei um homem vestido de mulher e ele me fez jurar que eu não iria contar pra ninguém. Eu prometi que não revelaria seu segredo, em agradecimento ele me filou um de seus cigarros. Eu tateei pelo meu isqueiro no meu jeans apertado, depois de encontrá-lo eu o acendi com gosto e prazer verdadeiro. As ruas eram densas, escuras, sombrias e solitárias.
Quando eu cheguei fui recebido com uma festa, mas nem era meu aniversário. Eu estava bebendo e me divertindo bastante. Todos estavam na festa, a mulher e a sua filha, o padre com uma prostituta, o soldado da guerra e o seu capitão vestido de mulher.
Texto selecionado na categoria "crônica" durante a Oficina de contos, crônicas e poesias.


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